sábado, 16 de março de 2013





Respeite-se!
Parte fundamental da nossa cartilha da felicidade e, diria mais, sem esse aprendizado não dá pra ninguém ser feliz…
Para ilustrar essa parte vou contar uma historinha para vocês…
Dona Amélia (essa era mulher de verdade?) saiu cedo para sua feira semanal (como sempre as 7 da matina para comprar tudo mais fresquinho)…
Velha conhecida dos feirantes era cumprimentada nas bancas e chamada com carinho pelo seu nome…
- Bom dia Dona Amélia, diz o verdureiro…Veja que linda escarola!
- Linda mesma Sr. Massa, parece que foi colhida agora, meu marido adora escarola…refogada com carne moída então…ele até come dobrado…vou levar 2 pés…
- E a beterraba Dona Amélia? Veja que cor linda!
- Puxa meu filho mais velho adora salada de beterraba! preciso levar umas 3 dessa…
- Dona Amélia veja o quiabo…fresquinho…ta bom e barato
- Quiabo é para o meu caçula…ih esse adora quiabo com frango…vou levar meio quilo…
- E esse jiló? veja que fresquinho???
- Ah…Seu Massa eu adoro jiló e faz muito tempo que eu não como, mas também ninguém lá em casa gosta de jiló, tentei fazer uma vez , mas ninguém gostou…não jiló não vou levar não…
E, assim nossa amiga pega sua sacola, pega seu carro e vai para casa…
No caminho até sua casa, pensava no jiló, como estavam bonitos, quanto tempo ela não comia jiló, lembrou de sua infância, onde sua mãe fazia jiló com carne picadinha…depois lembrou do tempo de namoro, do noivado, o casamento…sua vida passou como um filme…e em todo o tempo ela se lembrava de coisas que fez para agradar o marido, os filhos, a sogra, as vizinhas, e chegando no portão de casa lembrou há quanto tempo ela não pensava nela…o que ela fazia por ela? Sua felicidade era ver a família feliz…mas era feliz? feliz…feliz mesmo não…volta e meia ela sentia uma tristeza, um vazio, ela pensava nesses momentos que estava sendo ingrata para com Deus, afinal ela tinha tudo? Casa própria, marido honesto e trabalhador, 2 filhos educados, estudiosos, ela tinha ser carrinho (quase zero), fogão, geladeira, freezer, microondas…e outras engenhocas…que mais que ela queria???..
É que mais que ela queria???Atenção, carinho, amor, e jiló…sim, nesse momento o jiló significava uma atenção para com ela mesma, o jiló significava que ela era importante para alguém, era importante pelo menos para ela própria.Ela deu meia volta, voltou a feira e comprou meio-quilo daquele jiló…foi para casa e nesse dia ela preparou o melhor jiló da sua vida…era para ela…tinha que ser especial…então ela depositou amor nesse prato…e descobriu que o que faltava na sua vida era amar-se, respeitar-se, querer-se bem.
A partir desse dia começou a dedicar momentos do seu dia para estudar, ler bons livros, ir ao cinema…e a sua família começou a prestar mais atenção aquela pessoa que era querida, mas era como um móvel da casa…um aparelho que estava de manhã até a noite pronta para satisfazer os caprichos de todos.
E você? vai comprar o seu jiló hoje?


Paulo Roberto Gaefke

MINHA OPINIÃO:

Esta é a mais verdadeira realidade de quem se casa e tem filhos e passa a viver a vida de toda a família, mas menos a sua!
Um dia (geralmente tardiamente), descobrimos que o amor que nos dão, é muito pouco em troca de tudo que abdicamos. Não podemos culpá-los, pois fomos nós que permitimos que isso acontecesse, mas não deixamos de sentir um vazio imenso, que não sabemos como preencher, pois afinal, somos apenas um utensílio do lar. Estamos prontas a servir, a sofrer, a sacrificar nossos sonhos e desejos, mas ninguém percebe:  “que dentro daquele utensílio, usando para as necessidades de cada um, também bate um coração”.

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